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29 março 2018

 

Depois de apresentar um robusto lucro de R$ 3,5 bilhões em 2016 e de R$ 2,3 bilhões nos nove meses de 2017, a Eletrobras conseguiu a façanha de apresentar um prejuízo de R$ 1,7 bi no ano de 2017!

 

A chave para entender esse resultado negativo são os processos referentes aos empréstimos compulsórios. Isso mesmo, aqueles processos que a Eletrobras responde desde a década de 80, pelo menos foram os principais responsáveis pelo prejuízo.

A Eletrobras, no seu balanço em 2015 (veja aqui), já apontava um prejuízo com despesas relativas à provisão e pagamento de processos judiciais envolvendo empréstimo compulsório de R$ 5,019 bilhões.

Não seria legítimo inserir no balanço, que a metade da dívida de empréstimo compulsório é da União? Isso é receita, por que será que não foi feita essa importante e esclarecedora observação?

 

Para termos uma dimensão, o lançamento de novas provisões impactou o resultado da Empresa em R$ 2,3 bilhões, e os juros de correção em R$1 bilhão. Ou seja, descontados do resultado, o prejuízo de R$ 3,3 bilhões referentes aos processos de empréstimo compulsório, a Empresa apresentaria um lucro de nada menos que R$1,6 bilhão!

As considerações feitas sobre o empréstimo compulsório (processo que não guarda relação com a eficiência operacional da Empresa) já são suficientes para demonstrar que a Eletrobras é sim uma empresa lucrativa e que apresenta bons resultados operacionais.

 

Fato curioso, que não podemos deixar de registrar, é o estranho acordo realizado com a Eletropaulo, de cerca de R$ 1,4 bilhão que entrará para o caixa da Eletrobras (veja aqui). A Eletropaulo já reconheceu o acordo em seu balanço. Coisas da tão badalada iniciativa privada que é o espelho para o Sr. Wilson Pinto Junior.

Outro ponto para o qual devemos atentar é o resultado por segmento de negócio. É de conhecimento público que o projeto do governo é privatizar separadamente as distribuidoras e, em conjunto, os ativos de geração e transmissão. Pois bem, as Demonstrações financeiras da Eletrobras revelam que a soma dos lucros de Geração e Transmissão (Regime de Exploração e Regime de O&M) é de R$ 7,354 bilhões em 2017! E o governo pretende arrecadar com a venda desses ativos apenas R$12
bilhões! Um escândalo! Um roubo! Uma afronta! Já o segmento de Distribuição obteve um prejuízo de R$ 4,179 milhões em 2017. O curioso nesse caso é que a maior parte dos grandes reajustes de tarifas dados às Distribuidoras deficitárias da Eletrobras foram autorizados pelo governo apenas no último trimestre do ano. Ou seja, o setor privado, para aquisição das distribuidoras, exige condições privilegiadas. E é o povo que pagará a conta!

Ademais, o resultado das distribuidoras carece de avaliações minuciosas para
verificar até que ponto se busca preparar benefícios potenciais para os futuros controladores privados, notadamente em relação às provisões. Essa é uma primeira avaliação do balanço. Contamos com os colaboradores para aprofundarmos nossa análise do resultado ponto a ponto.

Estamos em meio a semana que tradicionalmente malha-se o “judas”, nos bastidores da Empresa, comenta-se que o Sr. Wilson Pinto Junior, vai entrar para a história, pois a malhação será esse teratológico balanço apresentado pela Eletrobras.