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30 novembro 2016

 Enel faz único lance pela Celg-D e leva distribuidora por R$ 2,187 bi


A empresa italiana Enel foi a única a apresentar proposta no leilão de privatização da distribuidora de eletricidade goiana Celg-D, da Eletrobras. A empresa ofereceu R$ 2,187 bilhões por 95% das ações da distribuidora goiana, um ágio de 28%, de acordo com informações da agência Reuters.


O leilão foi realizado nesta quarta-feira na BM&FBovespa, em São Paulo.


A venda da Celg-D foi tratada como o primeiro teste de mercado para o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) do governo federal, que prevê a venda ou concessão de 34 projetos nas áreas de energia, aeroportos, rodovias, portos, ferrovias e mineração, ao mesmo tempo em que o país enfrenta a maior recessão em décadas.


O movimento marca um retorno do Brasil às privatizações como forma de atrair investimentos para o setor elétrico mais de 10 anos após o início de um primeiro ciclo de vendas de empresas públicas de eletricidade, realizado pelo governo Fernando Henrique Cardoso entre 1995 e 2000.


Já foi decidido que a Eletrobras venderá até o final de 2017 mais seis distribuidoras de energia que atuam no Norte e Nordeste.


Nesta quarta-feira (30), o governo federal vai lançar os editais dos leilões de quatro aeroportos, previstos para o primeiro trimestre de 2017.


A Celg-D

Criada em 1956, a Celg-D atende atualmente 237 cidades goianas (98,7% do território do estado), num total de 2,6 milhões de unidades que consomem 2,4% da energia elétrica gerada no país. A companhia foi eleita pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) por 2 anos consecutivos, em 2014 e 2015, a pior distribuidora de energia do país.


A empresa, que era controlada pelo governo de Goiás, tem histórico de dificuldades financeiras. Por conta disso, em janeiro de 2015 ela foi federalizada e seu controle passou à Eletrobras.


Agora, com a venda, a Eletrobras receberá R$ 1,065 bilhão por sua fatia na Celg-D, enquanto o restante do valor a ser pago pela Enel irá para os cofres do governo de Goiás.


Segundo o presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Jr., os recursos serão utilizados para pagar dívidas mais caras e curtas da estatal e também para bancar o plano de investimentos da companhia, que prevê aportes de R$ 35,8 bilhões entre 2017 e 2021.


A Eletrobras aprovou um plano de reestruturação que prevê a privatização de outros 6 distribuidoras de energia: Companhia Energética do Piauí (Cepisa), Companhia Energética de Alagoas (Ceal), Companhia de Eletricidade do Acre (Eletroacre), Centrais Elétricas de Rondônia S.A (Ceron), Boa Vista Energia S.A. e Amazonas Distribuidora de Energia S.A.


Enel

O diretor da italiana Enel para o Brasil, Carlo Zorzoli, disse que a aquisição da Celg-D levará a base da empresa no Brasil para 10 milhões de clientes, ante 7 milhões até então. A empresa já controla distribuidoras no Ceará e no Rio de Janeiro e também possui ativos em geração, segundo informa a Reuters.


"Temos a capacidade técnica, econômica e a vontade de trabalhar para respeitar os limites regulatórios em termos de qualidade... a gente vai trabalhar para que a Celg seja uma história de êxito", disse o executivo, sem descartar a participação da empresa em novas disputas por ativos no setor.


Aa companhia italiana já atua no Brasil, onde possui distribuidoras no Ceará e no Rio de Janeiro. A elétrica também anunciou recentemente que pretende investir 3,2 bilhões de euros no Brasil até 2019, segundo a Reuters.


Fonte: G1