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05 junho 2014

Em nova proposta, Eletrobras mantém pagamento desigual de PLR entre as empresas

A Eletrobras apresentou uma nova proposta para o pagamento da participação nos lucros e resultados (PLR) de 2014, que não agradou as entidades que representam os trabalhadores. Enquanto a Federação Nacional dos Urbanitários (FNU) acredita que boa parte das empresas rejeitará o acordo, a Federação Nacional dos Trabalhadores em Energia, Água e Meio Ambiente (Fenatema) já decretou uma paralisação de 72h, que atinge algumas regionais de Furnas e a Eletronuclear.

 

De acordo com Franklin Moreira, presidente da FNU, a proposta mantém níveis diferentes de pagamentos entre as empresas do grupo Eletrobras. Sendo assim, trabalhadores da Eletrobras e Eletrosul, empresas que geraram mais lucro, receberão 1,96 folhas salariais (valor relativo a dezembro de 2013), nas demais geradoras, transmissoras e holding, o benefício será de 1,4 folhas salariais, enquanto que nas distribuidoras, que reportaram prejuízo no ano passado, o montante será equivalente a um salário.

 

Segundo Moreira, o pagamento do benefício está atrelado ao montante destinado aos dividendos, que serão distribuídos aos acionistas. "Acho bem difícil que essa proposta seja aprovada em algumas empresas. A Eletrobras está transferindo a responsabilidade do prejuízo para o trabalhador, quando se sabe que a grande responsável pelo péssimo resultado financeiro é a Medida Provisória 579 (atual Lei Federal 12.783/13)", disse o sindicalista, referindo-se à MP que dispôs sobre a redução da tarifa de energia elétrica e a renovação das concessões das geradoras e transmissoras.

 

“A greve é pela falta de tratamento e de isonomia do Grupo Eletrobrás. O lucro sempre foi socializado, e neste ano a empresa não está tratando com isonomia”, disse Celso Luis de Souza, presidente do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo (STIEESP), ligado à Fenatema. Apesar de contar com apenas 4% dos funcionários da Eletrobras, as bases desta federação são responsáveis por 40% da geração brasileira, justamente por contar com a Eletronucelar e algumas unidades de Furnas.

 

Independente do encaminhamento das assembleias, Moreira é cauteloso ao falar em greve. "A Copa do Mundo está aí, não queremos radicalizar neste momento", disse.

 

Procurada pelo Jornal da Energia, a Eletrobras pronunciou-se por meio de nota. Segue abaixo:

 

"A Eletrobras está propondo o pagamento de PLR para todos os seus empregados de todas as suas empresas. As companhias Eletrobras Eletrosul e Eletrobras Eletronorte, por terem dado lucro, terão um pouco mais de verba na distribuição da PLR. Mas, a título de complementação, os colaboradores das demais empresas terão direito a uma cartela extra de auxílio refeição ou alimentação. Na média os empregados da holding, por exemplo, devem receber o equivalente a cerca de 1,5 remuneração. O pagamento é imediato, levando de 48 a 72 horas após aprovação da proposta nas assembleias.

 

A sistemática de pagamento de PLR que a Eletrobras propõem vale apenas para o ano de 2013, com pagamento em 2014. Para o corrente ano, com pagamento em 2015, a Eletrobras, seus colaboradores e representantes sindicais irão pactuar um novo modelo de pagamento de PLR, a partir de julho."

 

Fonte: Jornal da Energia