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15 abril 2014

Pagamento de dívidas será foco da gestão

Os processos judiciais da Companhia de Energia Elétrica do Tocantins (Celtins) que estão em andamento são o foco das primeiras ações do diretor-presidente da companhia, Riberto José Barbanera, que assumiu o comando da empresa na tarde de ontem, em Palmas. Dentre eles, o diretor-presidente citou as ações na Justiça com o Banco Daycoval, o Big Banco e o governo do Tocantins. “Só depois serão adotadas as medidas de revitalização da empresa”, declarou Barbanera, após apresentação da nova diretoria da empresa a lideranças da concessionária.

 

A companhia foi adquirida pela Energisa com uma dívida de R$ 570 milhões. Sobre o débito, o diretor-presidente disse que em curto prazo o grupo fará aporte de capital de um montante de R$ 120 milhões, e o restante do valor devido será renegociado em alongamento de dívidas. “Temos também discussões em âmbito jurídico a serem resolvidas com o governo do Estado, a Eletrobrás e outras. E a nossa prioridade é liquidar tudo isso”, colocou Barbarena.

 

Com relação aos processos judiciais, Barbarena acrescentou ainda, que existem três grandes ações, com o Banco Daycoval, no qual o dinheiro já foi revertido ao caixa da Celtins; com o Big Banco, que passa por uma discussão em esfera federal; e com o governo do Estado, referente ao Programa Reluz e a dívida do Estado com a Celtins que gira em torno de R$ 130 milhões. “Com o Estado nossa medida será sentar e conversar”, disse Barbarena.

 

Conforme Barbanera, as questões jurídicas com os bancos são relativas a empréstimos que o controlador da concessionária, na época do Grupo Rede, tinha com esses bancos. “E quando aconteceu a falência do Grupo Rede, esses bancos tomaram dinheiro da Celtins para se resguardar. Mas juridicamente isso não estava perfeito, porque o CNPJ [Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica] da Celtins nunca constou para ser avalista do grupo, então queremos reaver aquilo que foi retirado equivocadamente”, revelou Barbanera.

 

Barbanera assumiu a Celtins em reunião com a presença do presidente da Energisa S.A. Ivan Müller Botelho, o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Romeu Rufino, e do ex-governador Siqueira Campos.

 

Segundo o novo diretor-presidente da empresa, não deverão ocorrer, a princípio, mudanças organizacionais. “Todos os trabalhadores da Celtins já migraram para o grupo Energisa. Com relação aos terceirizados, a Energisa irá rever os contratos sadios e podemos ter situações de primarização e a manutenção de contratos”, enfatizou Barbanera. Inicialmente o nome da Celtins não irá mudar, mas essa não é uma possibilidade descartada, disse ele.

 

ESTADO

O procurador-geral do Estado, André Matos, disse que o relacionamento com a nova diretoria será o melhor possível. “O nosso posicionamento é pela busca do interesse público. Mas, não podemos confundir as coisas, o processo contra a Celtins continua”, disse o procurador. O Estado move um processo em desfavor da Celtins para reaver aproximadamente R$ 19 milhões relativos ao Programa Reluz. Recentemente a Celtins obteve uma decisão do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) a seu favor, onde pôde levantar o montante que estava depositado em juízo. O procurador afirmou que irá recorrer da decisão. O governo do Tocantins possui 49% das ações da Celtins.

 

INTERVENÇÃO

 

A Celtins estava sob intervenção desde agosto de 2012, quando a Aneel considerou que o Grupo Rede havia perdido sua capacidade administrativa e financeira. Desde então, a empresa estava sendo administrada pelo interventor da Aneel, Isaac Averbuch.

 

Fonte:Jornal do Tocantins